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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Fernando Velázquez & The Impossible SIS#4

Uma banda sonora que não me apraz. Não faz o meu género porque não se mostra arrojada nem traz nada de novo ao panorama musical das bandas sonoras. Trata-se de um som fácil a puxar a lágrima de crocodilo. E talvez este seja um dos aspectos menos interessantes deste "The Impossible", de Juan Antonio Bayona.



Contudo, fica para apontamento este "The impossible end" onde é fácil adivinhar a brutal carga dramática que acompanha o filme, mas onde também se sentem alguns raios de esperança, ficando a sensação de que tudo irá correr bem.

The Impossible é só uma história, entre as muitas que decorreram do tsunami que modificou para sempre a paisagem tailandesa e vietnamita, e que transformou a vida de centenas de pessoas de várias partes do mundo. Neste caso, a história tem um final feliz. Contra todas as possibilidades, a família Bennet, Maria (Naomi Watts), Henry (Ewan McGregor) e os seus três filhos, sobrevive ao desastre natural que ocorreu após as festividades natalícias do dia anterior. A trama do filme resolve-se em torno da história de sobrevivência de Maria e Lucas, o filho mais velho, que se separam do resto da família, enquanto Henry, a braços com os dois mais pequenos, luta para os procurar, assombrado pela hipótese de estarem mortos.

O filme não vive de alegorias ou metáforas e vai buscar o seu poder à emoção humana. Se não fosse uma história real, o reencontro final, da forma como acontece, seria completamente ridículo. Vale sem dúvida pelas prestações de Naomi Watts e Ewan McGregor.

****** (6.0)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Doctor Rockit & Café de Flore SIS#3


Café de Flore, uma agradável surpresa!

Este filme de 2011, realizado por Jean-Marc Vallée, foi-me apresentado por bons e grandes amigos. Desconhecia a sua existência e suponho que tenha passado despercebido a muita gente. Contudo, não o podia deixar passar em claro. É um filme sobre o qual ainda reflicto, e devo reconhecer que me tocou. Não sendo brilhante ou genial, possui essa capacidade particular de me fazer esquecer as pequenas falhas, assim como os elos fracamente estabelecidos ou personagens pouco aprofundadas.

O filme é-nos apresentado através de vários fragmentos de duas histórias, e, entre flashbacks e flash-forwards, rapidamente compreendemos que estas histórias estão lincadas por um amor tão forte, que é capaz de atravessar décadas para ser revivido e apaziguado. Por um lado, na década de 60, vivemos a história de Laurent, uma criança com síndrome de Down, que é profundamente amada e inteligentemente protegida pela sua mãe, Jacqueline. O amor que ela sente pelo seu filho, é levado ao extremo, e aqui, reconheça-se a excelente interpretação de Vanessa Paradis como mãe de Laurent. Do outro lado da linha temporal, na actualidade, vivemos a vida de um DJ famoso, Antoine Godin, que acaba de se divorciar e sente ter encontrado a sua alma gémea.

As duas histórias completam-se e unem-se à luz da música do Doctor Rockit, mas também de uma banda sonora maravilhosa que inclui Pink Floyd, Sigur Rós ou The Cure. Próximos do final, conseguimos antever a ligação entre as personagens.

Mais do que outro pensamento, e como noutros filmes de Vallée, Café de Flore relembra-nos que quando amamos alguém, devemos saber estar com ele, mas devemos igualmente saber, quando deixá-lo ir. "If you love something, let it go. If it comes back to you, it's yours forever. If it doesn't, it wasn't meant to be." – Anónimo.

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sábado, 11 de agosto de 2012

Françoise Hardy & Moonrise Kingdom SIS#2


Um dia gostaria de viver ali, em Moonrise Kingdom, um local sonhado e concretizado à luz de um sentimento puro e inocente como só sabe ser o primeiro amor. Este é um filme não só sobre o amor e a perda da inocência, mas também sobre a amizade e a coragem.

Um filme altamente estilizado, com cores fortes e em tom amarelado a lembrar o instagram, bem ao estilo do Wes Anderson. As personagens remetem-nos para um mundo onírico e permitem-nos alhear do mundo real lá fora. Sem dúvida, para ver até ao fim, e deliciar-se com os créditos finais e banda sonora.

Na cena em que passa o tema da Françoise Hardy, podemos ver uma clara transformação nos dois protagonistas, é a descoberta da sexualidade e a ruptura com a infância. É um dos momentos mais bonitos e profundos do filme. E o tema que o acompanha não poderia ter sido melhor escolhido; o chick pop francês cai aqui como uma luva. De resto, toda a banda sonora do filme, do clássico à ópera e até mesmo ao country fluem e acompanham bem todo o filme.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Air & Lost in Translation SIS#1


Air :: Alone in Kyoto
Lost in Translation OST

 E porque não começar esta rubrica com um dos filmes que faz parte do meu Top 10?

A Sofia Coppola é uma das minhas realizadoras preferidas, é-me impossível não sentir empatia com os trabalhos dela, mesmo do mais fraco não consigo desgostar. Em Lost in Translation ela foi mais longe do que em qualquer outro filme. Tal como este som que vos deixo, todo o ambiente criado é de uma sensibilidade estonteante e de uma subtileza a roçar o doloroso

Duas almas perdidas que vagueiam num local completamente diferente e absurso e onde se encontram, não no plano físico mas a um nível bem mais profundo.

Vi o filme em 2003 ou 2004 mas ainda hoje, acho que no final ele lhe diz que a ama, não fossem os contrangimentos da vida, os dois ficariam juntos para sempre, ali, onde se conheceram, onde estavam perdidos para depois se encontrarem, um no outro.

Obrigada por escutarem!