... as pessoas com sentido cívico e espírito de ajuda, das que sofrem de um medo tremendo que as impede de prestar auxílio aos outros, sendo desprovidas de qualquer noção do significado de solidariedade. Ou possivelmente, são apenas negligentes!
(Desculpem o cliché, mas andava com vontade de avançar com este título, mesmo sendo uma referência a uma marca / serviço sobre o qual não tenho coisas muito bonitas a dizer. É grave quando pensamos em como a publicidade e o marketing nos manipulam desta forma, mas isso já dava outro tema!)
Avançando com a ideia inicial, aquilo que quero dizer é que tenho cada vez mais, a triste mas nítida sensação, que a maioria das pessoas vive alheada do resto do mundo, mesmo quando o mundo vive na porta ao lado. Estou a falar, particularmente, dos nossos vizinhos. Aquelas pessoas a quem se bate à porta para pedir azeite ou sal porque houve uma falta, ou a quem se dá uma boleia porque o carro ficou na oficina. Seria de esperar que entre estes conhecidos, reinasse um espírito de entreajuda e solidariedade. Mas as situações concretas com que me tenho deparado, todas desde que vivo na zona do grande Porto, mostram que "os vizinhos" parecem querer viver numa redoma, onde incluem família, amigos e "interesses", essenciais porque não conseguem viver sozinhos. Contudo, não se deixam penetrar pelas vidas dos que apenas conhecem e vivem mesmo ali.
Concerteza que nos dias que correm, e sobretudo nos grandes meios, devemos gerir cada caso com a devida parcimónia. Mas não me parece humano caminhar no sentido de refrear o ímpeto de ajudar alguém que conhecemos e nos está a pedir auxílio, apenas porque é mais cómodo e seguro regressar ao sofá para ver TV, ou ouvir o excelente programa que está a passar na rádio.
Poderá parecer ridículo, a esta altura do campeonato, ver-me tão espantada com actos desta natureza. Mas é só porque, ainda assim, e todos os dias, continuo a remar contra esta maré, continuo a querer ser prestável e ajudar quando vejo que há necessidade disso. Continuo a não fechar a porta da minha casa e a não fechar a minha alma. Acredito que assim, entrará mais bem do que mal pela porta da minha casa.
No meu tapete da entrada está escrito wellcome home.

mas ainda bem que ainda há pessoas como tu, que refletem sobre estas questões tão importantes e que se preocupam
ResponderExcluirum pouco também na linha do que descreves, mete-me imensa confusão passar por alguns vizinhos, a quem digo "bom dia!" e que nem me respondem!
idos vão os tempos do tocar à campainha para pedir sal, porque o nosso acabou. lembro-me tão bem desses tempos em que todos nos conhecíamos no bairro, nos preocupávamos uns com os outros...
o mundo parece agora remar para a indiferença :S
xo
É uma pena que as pessoas não vejam mais do que o seu próprio umbigo. Este texto já vem no seguimento de uma série de situações que tenho visto acontecer no meu prédio mas também a partir das notícias e dos comentários com amigos. Parece que o espírito de entreajuda morreu.
ExcluirAcredito que quando nos colocamos na pele dos outros e sentimos as suas dificuldades, percebemos que uma pequena ajuda iria fazer milagres.
Fazes bem, manter-te fiel aos teus principios, que são correctos e prestáveis.
ResponderExcluirInfelizmente, é uma realidade: as relações de vizinhança degradaram-se, seguindo o ritmo de outros vectores desta sociedade cada vez mais egoísta!
Ainda habito numa aldeia/vila, mas até aqui já se nota essa frieza nos vizinhos.
Também vivi grande parte da minha vida numa vila e volto sempre lá com regularidade. É verdade que aí, nunca senti esta falta de solidariedade por parte dos meus vizinhos. É uma das grandes vantagens de se viver num local mais pequeno.
ExcluirAdoro, contudo, viver numa cidade maior e espero trazer para esta cidade, este espírito com que fui educada e cresci.
Bolas e que direi eu, que sou provinciana e cresci numa cidade pequena?... esta frieza e indiferença de cidades como Lisboa, onde vivo agora, deixa-me desconcertada!! E o pior é que tem obviamente tendência a piorar!!
ResponderExcluirBjs.
Estou em crer que as pessoas que nasceram em meios mais pequenos, sentem mais esta indiferença com que nos tratamos, ainda vivendo tão próximos. Fico feliz por perceber que ainda há pessoas que dão valor ao espírito de ajuda e solidariedade.
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